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quarta-feira, 11 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Matando um Árabe
Hoje morreu a minha mãe. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida: Enterro amanhã. Sentidos pêsames". As palavras iniciais do livro “O Estrangeiro” (1942) de Albert Camus entraram para a história da literatura como o início mais marcante de um romance.
Retomo essa passagem, e o conteúdo do romance do escritor franco-argelino para colocar os fatos recentes no campo da ficção, mesmo sabendo que muitas vezes há mais realidade nos livros que na vida. No meio do romance, o personagem central encontra árabes na praia e, ante a possibilidade de uma luta, mata um deles com tiro de revolver. Em seu julgamento, o assassinato do árabe perde importância, e o centro passa a ser a apatia em relação à morte da mãe.
Décadas depois a banda de rock inglesa The Cure, transforma a cena do assassinato em cancão. “Killing an Arab” (1978) foi o primeiro compacto lançado pela formação liderada por Robert Smith. A segunda estrofe dessa canção expressa perfeitamente o que quero dizer:
“Eu posso voltar atrás, ou eu posso disparar a arma, Olhando para o céu, Olhando para o sol, Qualquer escolha que eu faça, Tem a mesma importância: Absolutamente nenhuma.”
Tudo isso para mim era o que entendia como o centro do pensamento existencialista do Século XX. A apatia como antídoto. A vida banalizada. A morte como objeto estético (e patético, com o perdão pelo trocadilho).
Osama Bin Laden era um Árabe nascido em Riad. Integrante de uma próspera família que negociava petróleo. Teve negócios com os Estados Unidos, em particular com a família Bush.
Os detalhes sórdidos que transformaram o sócio em inimigo número um estão por aí, numa mistura assombrosa de ficção e realidade que faria os contos de cego da biblioteca parecerem fábulas infantis. Nem o mais talentoso escritor do universo seria capaz de conferir verossimilhança à falcatrua estadunidense.
Osama foi morto na noite de primeiro de maio. Assim como no romance de Camus, ou na canção do Bob Smith, a morte teve mais importância pela estética do que por qualquer outro motivo.
Vale lembrar que Killing an Arab foi proibida nos EUA. Consideraram a canção agressiva ao povo árabe, o que é uma baita ironia. Mas o fato de Osama ser árabe e mulçumano também é uma ironia. Ele esteve à venda e depois se arrependeu. Talvez estivesse expiando seus pecados perante Alá, empreendendo uma tosca guerra “santa”.
Ajudou os EUA a expulsar os Russos do Afeganistão depois percebeu que não passava de um objeto a ser descartado no momento certo. E foi, descartado no momento certo. Sua morte é um breve ato de um espetáculo que deve fazer sentido para o público (pelo menos boa parte dele). A popularidade de Obama disparou. Ele não será julgado. Deve ter chorado no enterro da mãe.
Há quem duvide da morte de Osama. Eu não. Eu duvido da sua vida.
Retomo essa passagem, e o conteúdo do romance do escritor franco-argelino para colocar os fatos recentes no campo da ficção, mesmo sabendo que muitas vezes há mais realidade nos livros que na vida. No meio do romance, o personagem central encontra árabes na praia e, ante a possibilidade de uma luta, mata um deles com tiro de revolver. Em seu julgamento, o assassinato do árabe perde importância, e o centro passa a ser a apatia em relação à morte da mãe.
Décadas depois a banda de rock inglesa The Cure, transforma a cena do assassinato em cancão. “Killing an Arab” (1978) foi o primeiro compacto lançado pela formação liderada por Robert Smith. A segunda estrofe dessa canção expressa perfeitamente o que quero dizer:
“Eu posso voltar atrás, ou eu posso disparar a arma, Olhando para o céu, Olhando para o sol, Qualquer escolha que eu faça, Tem a mesma importância: Absolutamente nenhuma.”
Tudo isso para mim era o que entendia como o centro do pensamento existencialista do Século XX. A apatia como antídoto. A vida banalizada. A morte como objeto estético (e patético, com o perdão pelo trocadilho).
Osama Bin Laden era um Árabe nascido em Riad. Integrante de uma próspera família que negociava petróleo. Teve negócios com os Estados Unidos, em particular com a família Bush.
Os detalhes sórdidos que transformaram o sócio em inimigo número um estão por aí, numa mistura assombrosa de ficção e realidade que faria os contos de cego da biblioteca parecerem fábulas infantis. Nem o mais talentoso escritor do universo seria capaz de conferir verossimilhança à falcatrua estadunidense.
Osama foi morto na noite de primeiro de maio. Assim como no romance de Camus, ou na canção do Bob Smith, a morte teve mais importância pela estética do que por qualquer outro motivo.
Vale lembrar que Killing an Arab foi proibida nos EUA. Consideraram a canção agressiva ao povo árabe, o que é uma baita ironia. Mas o fato de Osama ser árabe e mulçumano também é uma ironia. Ele esteve à venda e depois se arrependeu. Talvez estivesse expiando seus pecados perante Alá, empreendendo uma tosca guerra “santa”.
Ajudou os EUA a expulsar os Russos do Afeganistão depois percebeu que não passava de um objeto a ser descartado no momento certo. E foi, descartado no momento certo. Sua morte é um breve ato de um espetáculo que deve fazer sentido para o público (pelo menos boa parte dele). A popularidade de Obama disparou. Ele não será julgado. Deve ter chorado no enterro da mãe.
Há quem duvide da morte de Osama. Eu não. Eu duvido da sua vida.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Surpresa matinal: "Damned" tocando "Alone Again Or" do "Love"
Acordei detonado pela gripe (cadê o aquecimento global?) e zapeei um pouco. Caí na MTV, que na madruga e pela manhã tem seus momentos.
Revi o vídeo abaixo. Genial cover da bandinha punk Dammed de um clássico do Love. Essa música abre o "Forever Changes", puta disco fundamental.
Vale a pena conferir a viagem com toques flamencos/mexicamos. A dançarina na areia com uma jamanta passando atrás é quase brega, mas em tempos de Lady Gaga não dá nada. Confiram:
Revi o vídeo abaixo. Genial cover da bandinha punk Dammed de um clássico do Love. Essa música abre o "Forever Changes", puta disco fundamental.
Vale a pena conferir a viagem com toques flamencos/mexicamos. A dançarina na areia com uma jamanta passando atrás é quase brega, mas em tempos de Lady Gaga não dá nada. Confiram:
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Uma visão da modernidade nas cidades, por Joel Benin
Amigo e camarada há mais de 20 anos, o Joel está se afirmando como um bom historiador, habilidade acrescentada à excelente liderança e articulação política. Dá-lhe Benin:
MODERNIDADE – MUNDO URBANO
*Joel Benin
Tentando compreender a evolução do mundo urbano, podemos identificar, na leitura de alguns autores, dos séculos XIX e XX, quando estes autores percebem que para alguns o modernismo poder ser algo relacionado a aspectos do espírito e mantém relação direta com o mundo intelectual e artístico ou fala-se em modernização que, para muitos, é a capacidade do homem de desenvolver a sociedade do ponto de vista material, econômico e político. Para Baudelaire, por exemplo, era necessário que o homem tivesse a capacidade de captar a aparência e o sentimento de sua própria era.
A cidade moderna e suas ruas apresentavam novos desafios, misturando novidades, incertezas e um certo movimento caótico mas, ao mesmo tempo, a cidade moderna, como mostra Baudelaire, desencadeia novas formas de liberdade criando oportunidades de novas experiências, possíveis de serem vividas pelas novas massas urbanas.
Para Clóvis Gruner e Luiz Carlos Cereza , no texto “As tramas da ficção”, a experiência da modernidade está diretamente relacionada com a vida urbana. Sobre isso afirmam:
A experiência da modernidade é essencialmente urbana. Razão pela qual a cidade constitui-se, principalmente ao longo do século XIX, paisagem privilegiada da vida moderna. Cenário de experiências, palco de inflexões, a cidade do século XIX seria o espaço por excelência da realização da utopia moderna: ela representa, a um só tempo, a possibilidade de desnaturalização e de fabricação de vida.(GRUNER; CEREZA In GRUNER; DENIPOTI, 2008, p. 149)
Para ler a íntegra do arquivo, clique aqui – Modernidade.
MODERNIDADE – MUNDO URBANO
*Joel Benin
Tentando compreender a evolução do mundo urbano, podemos identificar, na leitura de alguns autores, dos séculos XIX e XX, quando estes autores percebem que para alguns o modernismo poder ser algo relacionado a aspectos do espírito e mantém relação direta com o mundo intelectual e artístico ou fala-se em modernização que, para muitos, é a capacidade do homem de desenvolver a sociedade do ponto de vista material, econômico e político. Para Baudelaire, por exemplo, era necessário que o homem tivesse a capacidade de captar a aparência e o sentimento de sua própria era.
A cidade moderna e suas ruas apresentavam novos desafios, misturando novidades, incertezas e um certo movimento caótico mas, ao mesmo tempo, a cidade moderna, como mostra Baudelaire, desencadeia novas formas de liberdade criando oportunidades de novas experiências, possíveis de serem vividas pelas novas massas urbanas.
Para Clóvis Gruner e Luiz Carlos Cereza , no texto “As tramas da ficção”, a experiência da modernidade está diretamente relacionada com a vida urbana. Sobre isso afirmam:
A experiência da modernidade é essencialmente urbana. Razão pela qual a cidade constitui-se, principalmente ao longo do século XIX, paisagem privilegiada da vida moderna. Cenário de experiências, palco de inflexões, a cidade do século XIX seria o espaço por excelência da realização da utopia moderna: ela representa, a um só tempo, a possibilidade de desnaturalização e de fabricação de vida.(GRUNER; CEREZA In GRUNER; DENIPOTI, 2008, p. 149)
Para ler a íntegra do arquivo, clique aqui – Modernidade.
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