Texto publicado em diversos jornais no dia 14/11/13
Me lembro do meu pai treinando seu francês para o discurso que faria em saudação ao Albert Camus, que estava no Brasil e visitaria Porto Alegre. Era “Camus” com final “mus” como em “músculo” ou “Cami”?
Eu só sabia que era um francês importante. Depois ele falou mal da sua visita. Nunca ficou claro o que o desagradara tanto no Brasil. Seu desgosto foi com todo o país, não só com Porto Alegre. O que pelo menos livrou a pronúncia do meu pai.
Antes de ler qualquer coisa do Camus, eu já sabia da vida dele, instigado por aquela sua visita à minha cidade quando eu tinha 13 anos. Sua infância na Argélia, sua atuação na resistência durante a ocupação nazista da França, e — o que mais me interessava — o fato de ele ter sido goleiro na juventude.
Mais tarde, quando comecei a ler sua obra, me interessei pelo mito inteiro. Sua definição do absurdo da existência na figura de Sísifo, sua posição ambígua diante da guerra de independência da Argélia, seus desentendimentos com Sartre, seu Prêmio Nobel (que Sartre também ganhou, mas se recusou a receber) e sua crescente reputação entre os intelectuais da época como alternativa para o engajamento radical do Sartre, e entre as leitoras da época como a personificação do escritor enquanto galã.
Este ano comemora-se o centenário do nascimento de Camus, cujo nome e cuja influência, acho eu, duraram mais do que as do Sartre. O dele ainda é um modelo de engajamento a ser seguido.
Numa entrevista publicada na “Les Nouvelles Littéraires” em 1951, ele qualifica a conclusão, representada no mito de Sísifo e o eterno retorno da sua pedra, de que a condição humana é um absurdo inescapável. Diz Camus: “Nada realmente tem sentido? Nunca acreditei nisso. Enquanto escrevia ‘O mito de Sísifo’ eu já pensava no ensaio sobre a revolta que escreveria em seguida.”
O ensaio citado pelo autor é o livro “O homem revoltado”, uma receita para que a vida faça sentido, na revolta contra a injustiça.
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Escher vem ao MON!
O Museu Oscar Niemeyer (MON) recebe dia 11 de abril, quinta-feira, a mais completa exposição já realizada no Brasil dedicada ao artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898 – 1972). A mostra “A magia de Escher” reúne 85 obras, entre gravuras originais, desenhos e fac-símiles, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos do artista. O acervo da coleção da Fundação Escher na Holanda estará distribuído nas salas 1 e 2 do museu até o dia 21 de julho. O horário para ver a exposição “A magia de Escher” será estendido até as 20 horas, de terça a sexta-feira. Devido ao controle de temperatura e umidade das salas para que não haja nenhum dano às obras, o acesso do público será controlado por senha.
A exposição permitirá que o público passe por uma série de experiências que desvendam os efeitos óticos e de espelhamento que Escher utilizava em seus trabalhos. Experiências como olhar por uma janela de uma casa e ver tudo em ordem e, em seguida, ver tudo flutuando por outra janela, ou ainda assistir um filme em 3D, que possibilitará um passeio por dentro das obras do artista. A expografia ainda apresentará animações de algumas das gravuras de Escher.
Há dois anos, quando foi exposta no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, a mostra foi declarada como a exposição mais visitada no mundo em 2011, segundo a The Art Newspaper, publicação especializada em artes e que todo ano faz levantamento das mostras mais prestigiadas.
De acordo com o curador Pieter Tjabbes, essa será a única oportunidade de apreciar tantas obras reunidas fora do museu. “As obras do Escher são muito raras e muito procuradas para exposições. Só existem três coleções no mundo”, diz o curador.
Escher
Escher ficou mundialmente famoso por representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses, padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de ótica, com notável qualidade técnica e estética, respeitando as regras geométricas do desenho e da perspectiva.
Foi depois de uma incursão à Espanha, onde teve contato com mosaicos mouros que o artista foi estimulado a desenvolver trabalhos utilizando o preenchimento regular do plano. Escher achou muito interessante as formas como cada figura entrelaçava a outra e se repetia, formando belos padrões geométricos. Destacam-se também os trabalhos que exploram o ambiente. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, em um plano bidimensional, como a folha de papel. Com isso, ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas, paradoxos.
“Escher utilizava princípios da matemática sem ser rígido na sua aplicação. Ele seria mais um matemático amador, que aplicava certos efeitos quase intuitivamente. Há obras que mostram situações que parecem normais, mas com uma observação mais atenta, elas comprovam ser impossíveis. Elas são baseadas em modelos matemáticos como a cinta de Möbius ou o triângulo de Penrose”, explica Pieter. As obras “Belvedere” (1958), “Subir e descer” (1960) e “Cascata” (1961) são exemplos dessa aplicação.
Sobre as instalações interativas
Tudo na exposição foi pensado para que o público, de uma forma lúdica, atente para as dimensões visuais criadas por Escher. Um quebra-cabeça gigante, por exemplo, mostrará como ele se utilizava de imagens geométricas ou figurativas unindo-as umas às outras para criar gravuras que remetem ao infinito, comum em obras como em “Menor e Menor” (1956), o clássico “Dia e Noite” (1938) e “Metamorphosis II” (1940) onde o artista mostra como por meio de pequenas mudanças numa sequência é possível transformar uma imagem em outra.
Assim como Escher adorava brincar com a percepção imediata das pessoas, apresentando um mundo dos sonhos onde não existem direções certas, em cima ou embaixo, a mostra também recriará essa sensação ao utilizar alguns efeitos, como o de uma imagem plotada no chão que se completa no espelho curvado, em uma divertida mistura das três dimensões. “Adoramos o caos porque sentimos amor em produzir ordem”, dizia o artista.
Serviço: Exposição “A Magia de Escher”. De 11 de abril a 21 de julho de 2013. Salas 1 e 2. As salas terão controle de acesso. Terça a sexta-feira, das 10h às 20 horas. Sábado e domingo: das 10h às 18 horas. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada). Primeiro domingo do mês: entrada gratuita. Primeira quinta-feira do mês: horário estendido até as 20 horas. Entre 18 e 20 horas entrada gratuita. Museu Oscar Niemeyer – Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico. Mais informações: (41) 3350- 4400
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Audac lança clip para a música "Back to the future"
Fico até acanhado de comentar e elogiar o Audac, pois é uma banda de amigas e amigos mais que queridos. Então só falo para que vejam o clip e ouçam a canção, pois o nível poético que eles estão alcançando não é nada comum.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
E tem a Virada Cultural (só que não...)
O pessoal do Lolitas Coiffure e adjacências está fazendo sua própria virada, muito mais apropriada por sinal:
Virada Cultural Independente
Circuito dos Reis (da Trajano a Jaime Reis)
Em Parceria com Lisa Simpson Garage, Album Design Hits, Vinil Velho e Colete&Corselet
*10 de Novembro - Sabado - Palco Lavanderia
Lolitas Coiffure e Album , Trajano Reis 115 e 111.
13h - 19h - Bazar Vitrine na Calcada com
Lisa Simpson Agente Costura Colete&Corselet Lolitas Coiffure
13h - 15h So Vinil DJ's Set com
Vinil Velho - Skadrophenia Sound System
15h - 22h Palco Lavanderia Apresenta:
15h - Rocksteady City Firm
16h - Cavernoso Viñom
17h - Audac
18h - So Vinil DJ's Set com Só o Soul Salva!
19h - Cacique Revenge
20h - Uh La La !
21h - Giovanni Caruso e o Escambau
22h - So Vinil DJ's Set
*11 de Novembro - Domingo - Palco Garage
Lisa Simpson Garage, Jaime Reis 278
Programacao das 13h - 22h
- Des Filles Fantastiques
- Os Chuvas
- Dj Anaum
+ Jam Sessions durante toda a tarde
+ desfiles participativos - quem quiser pode dar carão
+ microfonagem de secadores de cabelo com Lolitas Coiffure
+ costuras na hora.
tudo na rua, gratis, Free for All !!!
Virada Cultural Independente
Circuito dos Reis (da Trajano a Jaime Reis)
Em Parceria com Lisa Simpson Garage, Album Design Hits, Vinil Velho e Colete&Corselet
*10 de Novembro - Sabado - Palco Lavanderia
Lolitas Coiffure e Album , Trajano Reis 115 e 111.
13h - 19h - Bazar Vitrine na Calcada com
Lisa Simpson Agente Costura Colete&Corselet Lolitas Coiffure
13h - 15h So Vinil DJ's Set com
Vinil Velho - Skadrophenia Sound System
15h - 22h Palco Lavanderia Apresenta:
15h - Rocksteady City Firm
16h - Cavernoso Viñom
17h - Audac
18h - So Vinil DJ's Set com Só o Soul Salva!
19h - Cacique Revenge
20h - Uh La La !
21h - Giovanni Caruso e o Escambau
22h - So Vinil DJ's Set
*11 de Novembro - Domingo - Palco Garage
Lisa Simpson Garage, Jaime Reis 278
Programacao das 13h - 22h
- Des Filles Fantastiques
- Os Chuvas
- Dj Anaum
+ Jam Sessions durante toda a tarde
+ desfiles participativos - quem quiser pode dar carão
+ microfonagem de secadores de cabelo com Lolitas Coiffure
+ costuras na hora.
tudo na rua, gratis, Free for All !!!
Lá vem a virada
Estou há mais de um mês sem escrever nada aqui... foi um período cheio de altos e baixos (gordos e magros). Mas a vida está melhorando e teremos virada cultural neste fim de semana. Como já opinei no facebook, bem fraquinha dessa vez, ainda assim com bastantes atrações apreciáveis, algumas imperdíveis. Vou fotografar e filmar o que puder. Então me aguardem.
Já nesta quarta-feira, tem Mistinguett Live na Casa Selvática. O Show está marcado para 19:30h e o ingresso custa só cincão inteira. Recomendo, mas estarei trabalhando. A Jo e sua banda fazem um som dançante e pesado, com fortes influências do pós-punk e do eletro. Vale muito conferir.
Até sábado tem uma porção de coisas legais, que se eu não tivesse que trabalhar adoraria ver quase todas. Para ver a programação completa acesse: http://www.correntecultural.com.br/programacao
Já nesta quarta-feira, tem Mistinguett Live na Casa Selvática. O Show está marcado para 19:30h e o ingresso custa só cincão inteira. Recomendo, mas estarei trabalhando. A Jo e sua banda fazem um som dançante e pesado, com fortes influências do pós-punk e do eletro. Vale muito conferir.
Até sábado tem uma porção de coisas legais, que se eu não tivesse que trabalhar adoraria ver quase todas. Para ver a programação completa acesse: http://www.correntecultural.com.br/programacao
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Curitiba não tem mar, mas tem bar... até na lua
A atração dos curitibanos pela boemia é propalada e reconhecida, principalmente pelos boêmios, claro. Segundo Paulo Leminski, beber seria uma questão de legítima defesa, mas para ele acabou por abreviar a vida. Seria legítima defesa da vida em si?
Mas bar não é só bebedeira ou autodestruição, é um espaço de socialização e de fuga ao mesmo tempo. Você se junta com uma porção de gente para sair da realidade, ou pelo menos para alcançar um novo ponto de vista sobre as coisas.
Mesmo que isso lhe renda um baita ressaca no dia seguinte, mas aí já é outro dia...
Bom, o Tatára é um figuraça, um lutador, um militante dessa cultura botequeira. Conheci ele e seu bar há uns dez anos, na época ficava nas Mercês. Hoje é no Água Verde. Ele diz que tem bar há 40 anos, não duvido.
Mistura de anfitrião e poeta louco, o coroa manda muito bem na simpatia e na criatividade. Abre espaço nas segundas para música autoral, reunindo um punhado respeitável de artistas amadores.
Dessa segunda autoral nasceu o espetáculo Juntando Gente, que eu filmei e fotografei semana passada no teatro do Portão Cultural. Abaixo o vídeo de Bar na Lua, uma espécie de hino do Tatára. Vida longa ao Bardo!
Mas bar não é só bebedeira ou autodestruição, é um espaço de socialização e de fuga ao mesmo tempo. Você se junta com uma porção de gente para sair da realidade, ou pelo menos para alcançar um novo ponto de vista sobre as coisas.
Mesmo que isso lhe renda um baita ressaca no dia seguinte, mas aí já é outro dia...
Bom, o Tatára é um figuraça, um lutador, um militante dessa cultura botequeira. Conheci ele e seu bar há uns dez anos, na época ficava nas Mercês. Hoje é no Água Verde. Ele diz que tem bar há 40 anos, não duvido.
Mistura de anfitrião e poeta louco, o coroa manda muito bem na simpatia e na criatividade. Abre espaço nas segundas para música autoral, reunindo um punhado respeitável de artistas amadores.
Dessa segunda autoral nasceu o espetáculo Juntando Gente, que eu filmei e fotografei semana passada no teatro do Portão Cultural. Abaixo o vídeo de Bar na Lua, uma espécie de hino do Tatára. Vida longa ao Bardo!
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Cacique & Audac no James
Fui no James meio que pedir desculpa por ter perdido o Audac no Cine Jóia. Bom, sou suspeito pra falar do Audac, mas vou... Antes teve o Barra Forte, um “projeto” novo dos conhecidos Cassiano, Andreza Michel, Babi Age, Rafael Martins e André Tobler. Lá, na hora, chamava Cacique, vai saber...
O fato é que o Cassiano merece honra ao mérito por muitos anos de serviços prestados ao rock. Magog, Bad Folks, Barbária... Imagino se o Daniel estivesse por aqui... Mas, bem, com o Rafael, a Andreza, o André, Babi... era bem difícil dar erro. E não deu. Uma massa sonora concisa e recheadíssima de referências. Belas canções. Fecharam com Step on do Happy Mondays, numa versão pra lá de punk: “don't you know? he can make you forget you're a man, you're a man, you're a man..."
Bom, daí veio o Audac. Perdi em São Paulo. Tava comendo sardinha crua num boteco Japa na Liberdade... Mas, o que perdi! Desde a última vez que vi o som delas e deles evoluiu muito. Ainda não tinha visto com o Pablo e o Ale. SEN - SA - CIO - NAL. Uma doçura amarga escorre do palco e as pessoas ficam atônitas, hipnotizadas.
Recomendo fortemente.
Não será beeem, assim, um painkiller, mas você vai perceber do que é feita sua dor, o que já é um grande passo.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Perdi o Audac, mas o Tame Impala valeu a viagem
Na fila do Cine Jóia quarta-feira passada, conversei com várias pessoas. A um deles disse que esse texto estaria no blog no dia seguinte e ele disse que iria ver. Não tava.
Fui pra SP e perdi o Audac. Lesera curitibana de não imaginar que o horário do panfleto era o do show principal. Não que me falte ouvir Audac, mas naquele puta palco seria mais que excelente.
Bom, o show do Tame Impala foi muito, mas muito bom. O som deles flui com um pé na bicho-grilagem setentista, mas sem qualquer datação de carbono. Enfim: fui, vi e curti!
É minha banda preferida do momento desde o ano passado.
As fotos que tirei estão no face.
Fui pra SP e perdi o Audac. Lesera curitibana de não imaginar que o horário do panfleto era o do show principal. Não que me falte ouvir Audac, mas naquele puta palco seria mais que excelente.
Bom, o show do Tame Impala foi muito, mas muito bom. O som deles flui com um pé na bicho-grilagem setentista, mas sem qualquer datação de carbono. Enfim: fui, vi e curti!
É minha banda preferida do momento desde o ano passado.
As fotos que tirei estão no face.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Em Busca da Curitiba Perdida
Roteiro adaptado do texto homônimo de Dalton Trevisan. Trabalho acadêmico realizado pelas alunas Fabiana Roberta Kielenas, Natália Pires Kutinskas e Vanessa Dobrucki Nishimori, do curso de Comunicação Social – Rádio e TV da Universidade Tuiuti do Paraná, de 2010.
quinta-feira, 29 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Gilson Caroni Filho: Com Chico Anysio o fascismo não sorria
Via Portal Vermelho.
Com o desaparecimento de Chico Anysio, vale lembrar o dito rikiano de que "a fama é a soma de todos os equívocos em torno de alguém"? Ou estamos assistindo a grandes e justificadas homenagens ao mais importante humorista das últimas quatro décadas? Ciente da força corrosiva do humor e da sátira, Chico criava personagens obstinadamente, talvez intuitivamente, sabendo que o jogo da linguagem crítica é, em si, o jogo do espírito em seu aspecto lúdico.
A irreverência no trato com autoridades e seu refinado senso de resistência política o levaram a um intenso processo de criação, como se não quisesse perder um só detalhe do que estivesse à sua volta. Operando com similaridades e antíteses, captou, com sua lente fina, as luzes e o dia-a-dia do povo brasileiro, dos oligarcas aos estratos populares que não se curvam ao desencanto e à decepção.
Do rádio à televisão, Chico Anysio foi um perito em extrair de múltiplos detalhes da nossa formação cultural significados precisos, dissolvendo mitos e máscaras com o ácido sulfúrico da piada certeira e do sarcasmo.
Como ninguém, ele soube fazer isso com ternura, estranha ternura onde o lado amargo da vida é plenamente resgatado pelo humor atordoante. Há quem diga que, como os poetas, os humoristas habitam um mundo em decomposição e decadência, mas o fazem de forma visceral, com arte feita do mais puro aço da reflexão e da lucidez crítica.
Dotado de profunda consciência social, o cearense de Maranguape tem uma face pouco conhecida, que vai bem além do talentoso humorista, autor e compositor: a de um resistente que não se curvou às tentativas de cooptação dos setores golpistas aglutinados, nos anos 1960, na rede de propaganda geral e doutrinação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).
Conforme nos revela René Armand Dreifuss* (1981: 248), "a elite orgânica se aproximou de inúmeros produtores, atores e diretores famosos de televisão, tais como Gilson Arruda e Batista do Amaral. Favorecia o uso de programas cômicos, quando possível. Rui Gomes de Almeida observava que uma piada contra um político provocaria um "dano enorme". Negava, ao contrário, o apoio aos atores que não cooperassem ou agissem contra os programas, as linhas de raciocínio e as pessoas que o IPES patrocinava. Tal foi o caso do humorista Chico Anysio, sagaz observador da realidade social".
Na melhor tradição do humor de combate, ainda que sem engajamento explícito, Chico não renegou princípios. Entendeu corretamente e cumpriu com competência a melhor missão do humor: a de fiscal mordaz e crítico visceral das estruturas do poder. Na galeria de mais de duzentos personagens, há lugar de destaque para a velha oligarquia e parlamentares com um profundo sentimento antipopular. Tudo operado com destreza e rara sensibilidade.
Na ausência de herdeiros, o panorama, após sua morte, é desolador. Quadros do Instituto Millennium elegem o ódio de classe, a homofobia e a descriminação de gênero como mote para piadas grosseiras. Programas como Casseta & Planeta e CQC parecem restabelecer uma velha sina: no Brasil, homens que tiveram voos de águia ou condor acabam em incursões galináceas, saltando direto para o poleiro. Enquanto outros, ainda jovens, antecipam a hora do perjuro.
Vai-se a multiplicidade que transforma. Fica a vala comum do transformismo. Não esperem perspicácia, iconoclastia irônica e imaginativa. O que toma a cena como "humor político" nada mais é do que o fascismo que lhe sorri.
*DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro, 1981
*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia da Facha (RJ) e colunista do Portal Vermelho e da Carta Maior.
Com o desaparecimento de Chico Anysio, vale lembrar o dito rikiano de que "a fama é a soma de todos os equívocos em torno de alguém"? Ou estamos assistindo a grandes e justificadas homenagens ao mais importante humorista das últimas quatro décadas? Ciente da força corrosiva do humor e da sátira, Chico criava personagens obstinadamente, talvez intuitivamente, sabendo que o jogo da linguagem crítica é, em si, o jogo do espírito em seu aspecto lúdico.
A irreverência no trato com autoridades e seu refinado senso de resistência política o levaram a um intenso processo de criação, como se não quisesse perder um só detalhe do que estivesse à sua volta. Operando com similaridades e antíteses, captou, com sua lente fina, as luzes e o dia-a-dia do povo brasileiro, dos oligarcas aos estratos populares que não se curvam ao desencanto e à decepção.
Do rádio à televisão, Chico Anysio foi um perito em extrair de múltiplos detalhes da nossa formação cultural significados precisos, dissolvendo mitos e máscaras com o ácido sulfúrico da piada certeira e do sarcasmo.
Como ninguém, ele soube fazer isso com ternura, estranha ternura onde o lado amargo da vida é plenamente resgatado pelo humor atordoante. Há quem diga que, como os poetas, os humoristas habitam um mundo em decomposição e decadência, mas o fazem de forma visceral, com arte feita do mais puro aço da reflexão e da lucidez crítica.
Dotado de profunda consciência social, o cearense de Maranguape tem uma face pouco conhecida, que vai bem além do talentoso humorista, autor e compositor: a de um resistente que não se curvou às tentativas de cooptação dos setores golpistas aglutinados, nos anos 1960, na rede de propaganda geral e doutrinação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).
Conforme nos revela René Armand Dreifuss* (1981: 248), "a elite orgânica se aproximou de inúmeros produtores, atores e diretores famosos de televisão, tais como Gilson Arruda e Batista do Amaral. Favorecia o uso de programas cômicos, quando possível. Rui Gomes de Almeida observava que uma piada contra um político provocaria um "dano enorme". Negava, ao contrário, o apoio aos atores que não cooperassem ou agissem contra os programas, as linhas de raciocínio e as pessoas que o IPES patrocinava. Tal foi o caso do humorista Chico Anysio, sagaz observador da realidade social".
Na melhor tradição do humor de combate, ainda que sem engajamento explícito, Chico não renegou princípios. Entendeu corretamente e cumpriu com competência a melhor missão do humor: a de fiscal mordaz e crítico visceral das estruturas do poder. Na galeria de mais de duzentos personagens, há lugar de destaque para a velha oligarquia e parlamentares com um profundo sentimento antipopular. Tudo operado com destreza e rara sensibilidade.
Na ausência de herdeiros, o panorama, após sua morte, é desolador. Quadros do Instituto Millennium elegem o ódio de classe, a homofobia e a descriminação de gênero como mote para piadas grosseiras. Programas como Casseta & Planeta e CQC parecem restabelecer uma velha sina: no Brasil, homens que tiveram voos de águia ou condor acabam em incursões galináceas, saltando direto para o poleiro. Enquanto outros, ainda jovens, antecipam a hora do perjuro.
Vai-se a multiplicidade que transforma. Fica a vala comum do transformismo. Não esperem perspicácia, iconoclastia irônica e imaginativa. O que toma a cena como "humor político" nada mais é do que o fascismo que lhe sorri.
*DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro, 1981
*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia da Facha (RJ) e colunista do Portal Vermelho e da Carta Maior.
segunda-feira, 26 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual
Dica do Roberto Blatt: hoje, 18h! Entrada free.
Espaço Cinevideo (Rua Padre Anchieta, 458, Curitiba/PR
Eu já vi e recomendo!
sexta-feira, 16 de março de 2012
Quino avisa: 50 anos de Mafalda só serão comemorados em 2014
Notícias alusivas ao 50º aniversário de Mafalda, sua mais conhecida personagem, levaram o argentino Quino a esclarecer que a data será comemorada apenas daqui a dois anos.
"O dia de sua primeira publicação foi 29 de setembro de 1964, na revista Primera Plana. Para Quino, é o dia de nascimento de Malfada como personagem de histórias em quadrinhos. Qualquer outro cálculo do dia do nascimento é incorreto", afirmou, em seu site oficial.
Segundo o autor, o mal entendido se deve a uma informação em biografia publicada em 1968 na revista Siete Dias na qual ele diz que Mafalda nasceu "na vida real" em março de 1962. Uma tira de 1966 fazia referência ao nascimento da personagem em 1960. "Nem uma nem outra data devem ser levadas em consideração", diz Quino.
"Pensar em uma cronologia para um personagem de histórias em quadrinhos é difícil. Mafalda segue sendo uma menina e sempre será assim. Por isso, Quino considera que o dia de aniversário de Mafalda é o dia de sua primeira publicação em meios impressos, 29 de setembro de 1964. Festejaremos dentro de dois anos."
Mas se a comemoração da contestadora personagem ainda está para acontecer, há outra data a ser lembrada em 2012: Joaquín Salvador Lavado, o Quino, completará 80 anos em 17 de julho.
Fonte: Rede Brasil Atual via Portal Vermelho
"O dia de sua primeira publicação foi 29 de setembro de 1964, na revista Primera Plana. Para Quino, é o dia de nascimento de Malfada como personagem de histórias em quadrinhos. Qualquer outro cálculo do dia do nascimento é incorreto", afirmou, em seu site oficial.
Segundo o autor, o mal entendido se deve a uma informação em biografia publicada em 1968 na revista Siete Dias na qual ele diz que Mafalda nasceu "na vida real" em março de 1962. Uma tira de 1966 fazia referência ao nascimento da personagem em 1960. "Nem uma nem outra data devem ser levadas em consideração", diz Quino.
"Pensar em uma cronologia para um personagem de histórias em quadrinhos é difícil. Mafalda segue sendo uma menina e sempre será assim. Por isso, Quino considera que o dia de aniversário de Mafalda é o dia de sua primeira publicação em meios impressos, 29 de setembro de 1964. Festejaremos dentro de dois anos."
Mas se a comemoração da contestadora personagem ainda está para acontecer, há outra data a ser lembrada em 2012: Joaquín Salvador Lavado, o Quino, completará 80 anos em 17 de julho.
Fonte: Rede Brasil Atual via Portal Vermelho
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Bloco Garibldis e Sacis convoca coletiva de imprensa
(Recebi por e-mail da Ana Carolina Caldas)
Para resgatar o verdadeiro sentido do pré carnaval, o Bloco Garibaldis e Sacis convoca coletiva de imprensa para esta quinta feira, às 11 horas, na Agência Getz Comunicação. O objetivo principal é divulgar o posicionamento do grupo para o próximo domingo, além de reiterar a importância desta manifestação cultural para cidade e o respeito aos mais de 15 mil foliões curitibanos que participam da festa que acontece há 14 anos. Os organizadores do evento procuraram a Getz Comunicação que vem se notabilizando em campanhas sociais, para buscar uma estratégia, a ser apresentada durante a coletiva, que venha responder a necessidade de valorização do potencial cultural, comercial e turístico do pré carnaval.
Através do Garibaldis & Sacis, Curitiba exibe suas diferenças e peculiaridades em uma festa que resgata o carnaval de rua e se revela como referência de arte e cultura. Um pré carnaval de misturas, em que a celebração das diferenças toma, ano a ano, as ruas do centro histórico da cidade. Este é o espírito da festa que acontece desde 1998, criada espontaneamente por artistas curitibanos. No último domingo, os repiques, as fantasias, as cirandas e os refrões bem humorados legraram novamente mais de 7 mil foliões presentes. Porém, nenhum deles imaginava que ao final da festa, da manifestação pacífica que acontece todos os anos, veriam e participariam de cenas de terror.
O Largo da Ordem foi palco da ação violenta de policiais militares contra os foliões que brincavam após o pré carnaval. De forma desproporcional, um batalhão de choque iniciou uma verdadeira guerra com disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral, deixando muitos foliões feridos. Segundo a polícia, foram jogadas garrafas e pedras em uma viatura da PM e por este motivo o reforço policial foi chamado.
Apesar do triste episódio, a última apresentação de 2012 do Garibaldis e Sacis está confirmada para o próximo domingo. Os organizadores já solicitaram, através das redes sociais, que os foliões participem vestindo branco. Além desta proposta, outras já foram organizadas e serão divulgadas durante a coletiva. “Vamos para a rua com o mesmo espírito de sempre, que é o de brincar com alegria, paz e amor. Porém, agora é necessário resgatar e reafirmar a essência desta festa. Vestir a camisa pela paz.” explica Luiz Nobre, um dos organizadores do bloco.
Garibaldis e Sacis: celebração da alegria
Da idéia brincalhona de um grupo de amigos artistas, surgiu em 1998 o Pré Carnaval Garibaldis e Sacis, que reunia na época pouco mais do que cem pessoas no Largo da Ordem. Ao longo dos anos, a festa caiu no gosto do curitibano e atualmente são milhares reunidos nos quatro domingos que antecedem o carnaval. Diante do crescimento, os amigos resolveram criar a um ano e meio atrás a Associação Recreativa Cultural Amigos do Garibaldis e Sacis, que conta com 25 pessoas associadas, as mesmas responsáveis pela organização do evento. Há também a bateria formada por mais de 20 músicos da cidade. Todos voluntários.
A brincadeira que deu certo...
O Bloco Pré Carnavalesco Garibaldis & Sacis teve início em 1998 a partir de uma provocação que o artista maranhense Itaércio Rocha – hoje presidente da Associação Recreativa Cultural Amigos do Garibaldis & Sacis – fez no programa “Samba De Bamba”, apresentando pelo jornalista Rodrigo Browne, na Rádio Educativa do Paraná, convidando as pessoas a se reunir nos domingos pré carnaval para brincar a folia. Isso bastou para motivar um grupo de amigos a planejar a festa para o ano seguinte.
Em 1999, artistas ligados à Faculdade de Artes do Paraná (FAP), ao Conservatório de Música Popular Brasileira, ao Teatro de Bonecos e ao Grupo Mundaréu, encontraram-se rotineiramente nos domingos de janeiro no Saccy Bar, centro histórico de Curitiba, para discutir a organização da festa. Numa destas reuniões foi eleito o nome do bloco, “Garibaldis & Sacis”, em alusão e homenagem ao itinerário idealizado. O ponto de partida seria o Saccy Bar e o ponto final do trajeto a Praça Garibaldi. Desta forma, o bloco desfilaria pelas ruas convidando as pessoas a participar, além de buscar o resgate dos antigos carnavais de rua.
Paralelo ao crescimento do bloco, o aparato de som também se desenvolveu. O músico Ricardo “Rosinha”, mesmo criador do invento com o carrinho de supermercado, levou para as ruas um Fiat Fiorino com o som que ajudou a fazer a festa até 2008. Nos anos seguintes, financiado pelos próprios foliões, o bloco contratou uma Kombi que funciona como mini trio elétrico.
Inicialmente o desfile começava por volta das 13 horas, na tentativa de aproveitar o público que se dirigia até o Largo da Ordem para fazer compras ou passear pela Feira de Domingo e terminava com um grande Cacuriá, em que todos participavam. Com o aumento do número de pessoas que o seguiam e um entrave referente ao horário da missa de domingo na Igreja de São Francisco da Ordem, que coincidia com o horário de saída do bloco, o início da festa foi adiada para as 15h30 e o ponto de partida alterado para frente do Memorial da Cidade, também no Largo da Ordem.
O Bloco por si só é um grande sucesso e tem como objetivo a valorização da cultura popular. Tanto que a partir dele, surgiram outros eventos. Nos últimos anos realizaram, periodicamente, sambas de mesa em frente ao Conservatório de MPB, no bar do Cícero, hoje conhecido como bar Brasileirinho. Além dos sambas, os encontros resultaram em outras duas festas populares que agora ocorrem anualmente: O “Arraial da Anita”, uma festa com temática junina (quadrilha, batuques e fandangos) fora de época, realizado de maneira comunitária e o “Sarau do Saci”, evento em que artistas da cidade apresentam poesias, músicas, histórias e contos em frente ao Relógio das Flores. Uma celebração de primavera aberta ao grande público, com forte foco na infância, pois, nela são homenageados o Dia de Cosme e Damião, o Dia das Crianças e o Dia da Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.
Coletiva de imprensa
Dia 09/02 - quinta-feira
11h
Rua Joaquim da Silva Sampaio, 136 na Agência Getz Comunicação
Contato imprensa – Ana Carolina Caldas (41)92114915
Para resgatar o verdadeiro sentido do pré carnaval, o Bloco Garibaldis e Sacis convoca coletiva de imprensa para esta quinta feira, às 11 horas, na Agência Getz Comunicação. O objetivo principal é divulgar o posicionamento do grupo para o próximo domingo, além de reiterar a importância desta manifestação cultural para cidade e o respeito aos mais de 15 mil foliões curitibanos que participam da festa que acontece há 14 anos. Os organizadores do evento procuraram a Getz Comunicação que vem se notabilizando em campanhas sociais, para buscar uma estratégia, a ser apresentada durante a coletiva, que venha responder a necessidade de valorização do potencial cultural, comercial e turístico do pré carnaval.
Através do Garibaldis & Sacis, Curitiba exibe suas diferenças e peculiaridades em uma festa que resgata o carnaval de rua e se revela como referência de arte e cultura. Um pré carnaval de misturas, em que a celebração das diferenças toma, ano a ano, as ruas do centro histórico da cidade. Este é o espírito da festa que acontece desde 1998, criada espontaneamente por artistas curitibanos. No último domingo, os repiques, as fantasias, as cirandas e os refrões bem humorados legraram novamente mais de 7 mil foliões presentes. Porém, nenhum deles imaginava que ao final da festa, da manifestação pacífica que acontece todos os anos, veriam e participariam de cenas de terror.
O Largo da Ordem foi palco da ação violenta de policiais militares contra os foliões que brincavam após o pré carnaval. De forma desproporcional, um batalhão de choque iniciou uma verdadeira guerra com disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral, deixando muitos foliões feridos. Segundo a polícia, foram jogadas garrafas e pedras em uma viatura da PM e por este motivo o reforço policial foi chamado.
Apesar do triste episódio, a última apresentação de 2012 do Garibaldis e Sacis está confirmada para o próximo domingo. Os organizadores já solicitaram, através das redes sociais, que os foliões participem vestindo branco. Além desta proposta, outras já foram organizadas e serão divulgadas durante a coletiva. “Vamos para a rua com o mesmo espírito de sempre, que é o de brincar com alegria, paz e amor. Porém, agora é necessário resgatar e reafirmar a essência desta festa. Vestir a camisa pela paz.” explica Luiz Nobre, um dos organizadores do bloco.
Garibaldis e Sacis: celebração da alegria
Da idéia brincalhona de um grupo de amigos artistas, surgiu em 1998 o Pré Carnaval Garibaldis e Sacis, que reunia na época pouco mais do que cem pessoas no Largo da Ordem. Ao longo dos anos, a festa caiu no gosto do curitibano e atualmente são milhares reunidos nos quatro domingos que antecedem o carnaval. Diante do crescimento, os amigos resolveram criar a um ano e meio atrás a Associação Recreativa Cultural Amigos do Garibaldis e Sacis, que conta com 25 pessoas associadas, as mesmas responsáveis pela organização do evento. Há também a bateria formada por mais de 20 músicos da cidade. Todos voluntários.
A brincadeira que deu certo...
O Bloco Pré Carnavalesco Garibaldis & Sacis teve início em 1998 a partir de uma provocação que o artista maranhense Itaércio Rocha – hoje presidente da Associação Recreativa Cultural Amigos do Garibaldis & Sacis – fez no programa “Samba De Bamba”, apresentando pelo jornalista Rodrigo Browne, na Rádio Educativa do Paraná, convidando as pessoas a se reunir nos domingos pré carnaval para brincar a folia. Isso bastou para motivar um grupo de amigos a planejar a festa para o ano seguinte.
Em 1999, artistas ligados à Faculdade de Artes do Paraná (FAP), ao Conservatório de Música Popular Brasileira, ao Teatro de Bonecos e ao Grupo Mundaréu, encontraram-se rotineiramente nos domingos de janeiro no Saccy Bar, centro histórico de Curitiba, para discutir a organização da festa. Numa destas reuniões foi eleito o nome do bloco, “Garibaldis & Sacis”, em alusão e homenagem ao itinerário idealizado. O ponto de partida seria o Saccy Bar e o ponto final do trajeto a Praça Garibaldi. Desta forma, o bloco desfilaria pelas ruas convidando as pessoas a participar, além de buscar o resgate dos antigos carnavais de rua.
Paralelo ao crescimento do bloco, o aparato de som também se desenvolveu. O músico Ricardo “Rosinha”, mesmo criador do invento com o carrinho de supermercado, levou para as ruas um Fiat Fiorino com o som que ajudou a fazer a festa até 2008. Nos anos seguintes, financiado pelos próprios foliões, o bloco contratou uma Kombi que funciona como mini trio elétrico.
Inicialmente o desfile começava por volta das 13 horas, na tentativa de aproveitar o público que se dirigia até o Largo da Ordem para fazer compras ou passear pela Feira de Domingo e terminava com um grande Cacuriá, em que todos participavam. Com o aumento do número de pessoas que o seguiam e um entrave referente ao horário da missa de domingo na Igreja de São Francisco da Ordem, que coincidia com o horário de saída do bloco, o início da festa foi adiada para as 15h30 e o ponto de partida alterado para frente do Memorial da Cidade, também no Largo da Ordem.
O Bloco por si só é um grande sucesso e tem como objetivo a valorização da cultura popular. Tanto que a partir dele, surgiram outros eventos. Nos últimos anos realizaram, periodicamente, sambas de mesa em frente ao Conservatório de MPB, no bar do Cícero, hoje conhecido como bar Brasileirinho. Além dos sambas, os encontros resultaram em outras duas festas populares que agora ocorrem anualmente: O “Arraial da Anita”, uma festa com temática junina (quadrilha, batuques e fandangos) fora de época, realizado de maneira comunitária e o “Sarau do Saci”, evento em que artistas da cidade apresentam poesias, músicas, histórias e contos em frente ao Relógio das Flores. Uma celebração de primavera aberta ao grande público, com forte foco na infância, pois, nela são homenageados o Dia de Cosme e Damião, o Dia das Crianças e o Dia da Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.
Coletiva de imprensa
Dia 09/02 - quinta-feira
11h
Rua Joaquim da Silva Sampaio, 136 na Agência Getz Comunicação
Contato imprensa – Ana Carolina Caldas (41)92114915
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Garibaldis & Sacis, o fascismo e a polícia (que virou caso de polícia!)
Olha quanta coisa acontecendo e eu sem escrever! Assim não dá!
Ainda não fui no "Garibaldis" este ano. Mas estou lá todo domingo de alguma forma, pelas fotos que vejo, pelos amigos que contam como foi e assim é. Para um joinvillense (onde há bem menos carnaval que em Curitiba) não é de se estranhar.
Então eu não estava lá no domingo e não levei tiro nem cacetada. Mas vou dar palpite mesmo assim.
Na segunda-feira fui até o Largo na concentração chamada Bandeira Branca. Mais que uma manifestação, foi um bate papo entre pessoas que estavam tentando entender o que aconteceu realmente, para saber como se posicionar.
A Gazeta do Povo até fez uma matéria bacana (leia aqui), mas outros órgãos de imprensa, a polícia e o próprio governo pisaram feio na bola ao falar em dois lados: Foliões X PM; como se o incidente de domingo tivesse sido culpa dos "dois lados". Mas não há "dois lados". Há uns poucos babacas vândalos, há policiais brutos e sem comando e há a imensa maioria das pessoas que só queria se divertir e sofreram as consequências.
Qualquer raciocínio simplório levaria à conclusão de que se os milhares de foliões que estavam no Largo domingo resolvessem barbarizar e vandalizar, não haveria contingente policial ou bala de borracha que segurasse a onda. Ora: 99,99% das pessoas que estavam no Largo só queria se divertir em paz!
O problema é que a Polícia Militar resolveu (por que?) tratar a todos pior de que se fossem vândalos, por ser incapaz de isolar e conter os poucos gatos pingados, espíritos de porco, dispostos a estragar a festa.
Então a lógica da PM foi a pior possível, a do fascismo. Ao se ver atacada por alguns poucos vândalos, a PM resolveu distribuir bordoadas no atacado e combater TODO MUNDO. Mas havia milhares de pessoas lá. Famílias inteiras, idosos, crianças e marmanjos "do bem", que não queriam confusão nenhuma.
E aí, me desculpem aqueles que não querem politizar a questão, é difícil não fazer paralelo com o que houve na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, há poucas semanas. Difícil de não se revoltar contra esses governos tucanos que querem impor até as formas de diversão que as pessoas devem escolher; que fecham bares e dificultam o trabalho dos músicos, como o quem vem acontecendo na noite curitibana desde o ano passado.
Há também a tese de que a confusão teria sido planejada e iniciada por pessoas contrárias a existência de carnaval em Curitiba; pois vamos combinar, tem louco pra tudo. Então, grupos de direita, que pregam a pureza da "raça" e imbecilidades desse nível, estariam incomodados com o vertiginoso crescimento do Bloco Garibaldis e Sacis. Essa tese é reforçada por relatos de que a confusão se alastrou por bares do São Francisco, que sofreram ataques gratuitos na noite de domingo.
Independente das teses, fico com os Garibaldis & Sacis que na concentração de segunda rechaçaram o revanchismo e o espírito de vingança. Preferiram levantar bandeira branca, pois apesar da indignação, só com espírito leve e democrático esse tipo de manifestação popular se sustenta.
O registro que fiz em vídeo é autoexplicativo do espírito dos foliões, completamente desarmados do que não seja vontade de brincar e ser feliz.
Ainda não fui no "Garibaldis" este ano. Mas estou lá todo domingo de alguma forma, pelas fotos que vejo, pelos amigos que contam como foi e assim é. Para um joinvillense (onde há bem menos carnaval que em Curitiba) não é de se estranhar.
Então eu não estava lá no domingo e não levei tiro nem cacetada. Mas vou dar palpite mesmo assim.
Na segunda-feira fui até o Largo na concentração chamada Bandeira Branca. Mais que uma manifestação, foi um bate papo entre pessoas que estavam tentando entender o que aconteceu realmente, para saber como se posicionar.
A Gazeta do Povo até fez uma matéria bacana (leia aqui), mas outros órgãos de imprensa, a polícia e o próprio governo pisaram feio na bola ao falar em dois lados: Foliões X PM; como se o incidente de domingo tivesse sido culpa dos "dois lados". Mas não há "dois lados". Há uns poucos babacas vândalos, há policiais brutos e sem comando e há a imensa maioria das pessoas que só queria se divertir e sofreram as consequências.
Qualquer raciocínio simplório levaria à conclusão de que se os milhares de foliões que estavam no Largo domingo resolvessem barbarizar e vandalizar, não haveria contingente policial ou bala de borracha que segurasse a onda. Ora: 99,99% das pessoas que estavam no Largo só queria se divertir em paz!
O problema é que a Polícia Militar resolveu (por que?) tratar a todos pior de que se fossem vândalos, por ser incapaz de isolar e conter os poucos gatos pingados, espíritos de porco, dispostos a estragar a festa.
Então a lógica da PM foi a pior possível, a do fascismo. Ao se ver atacada por alguns poucos vândalos, a PM resolveu distribuir bordoadas no atacado e combater TODO MUNDO. Mas havia milhares de pessoas lá. Famílias inteiras, idosos, crianças e marmanjos "do bem", que não queriam confusão nenhuma.
E aí, me desculpem aqueles que não querem politizar a questão, é difícil não fazer paralelo com o que houve na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, há poucas semanas. Difícil de não se revoltar contra esses governos tucanos que querem impor até as formas de diversão que as pessoas devem escolher; que fecham bares e dificultam o trabalho dos músicos, como o quem vem acontecendo na noite curitibana desde o ano passado.
Há também a tese de que a confusão teria sido planejada e iniciada por pessoas contrárias a existência de carnaval em Curitiba; pois vamos combinar, tem louco pra tudo. Então, grupos de direita, que pregam a pureza da "raça" e imbecilidades desse nível, estariam incomodados com o vertiginoso crescimento do Bloco Garibaldis e Sacis. Essa tese é reforçada por relatos de que a confusão se alastrou por bares do São Francisco, que sofreram ataques gratuitos na noite de domingo.
Independente das teses, fico com os Garibaldis & Sacis que na concentração de segunda rechaçaram o revanchismo e o espírito de vingança. Preferiram levantar bandeira branca, pois apesar da indignação, só com espírito leve e democrático esse tipo de manifestação popular se sustenta.
O registro que fiz em vídeo é autoexplicativo do espírito dos foliões, completamente desarmados do que não seja vontade de brincar e ser feliz.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Virilhada Cultural e A Pereira da Tia Miséria na franja da Virada
Além das muitas (mas, muitas mesmo!) atrações oficiais que poderão ser conferidas nas praças, teatros e botecos, algumas não estão na programação oficial.
O Núcleo Ás de Paus irá apresentar a peça "A Pereira da Tia Miséria" na sexta 04/11, na Boca Maldita, às 12h e 15h. No sábado, a apresentação será na Praça Santos Andrade às 10h da manhã e no domingo será na Praça Eufrásio Corrêa às 14h.
O grupo é de Londrina, e desenvolve sua teatralidade a partir de pesquisas em pernas-de-pau e outros efeitos de prolongamento do corpo desde 2008. Vamos conferir!
A outra atração não-oficial era para ser surpresa... e será! O Lendário Chucrobilly Man e o Motel Boy Johnny vão aprontar de novo. Será uma intervenção que eles estão chamado de Virilhada Cultural.
Consiste mais ou menos no seguinte: os músicos param uma van (acho que é uma Kombi) em uma praça que acharem conveniente, esticam um tapete, montam seus apetrechos e as duas monobandas passam a se apresentar, em desafio, ou um de cada vez.
Vamos aí!
Tem horas que até vale a pena viver aqui em Curitiba, não é?
O Núcleo Ás de Paus irá apresentar a peça "A Pereira da Tia Miséria" na sexta 04/11, na Boca Maldita, às 12h e 15h. No sábado, a apresentação será na Praça Santos Andrade às 10h da manhã e no domingo será na Praça Eufrásio Corrêa às 14h.
O grupo é de Londrina, e desenvolve sua teatralidade a partir de pesquisas em pernas-de-pau e outros efeitos de prolongamento do corpo desde 2008. Vamos conferir!
A outra atração não-oficial era para ser surpresa... e será! O Lendário Chucrobilly Man e o Motel Boy Johnny vão aprontar de novo. Será uma intervenção que eles estão chamado de Virilhada Cultural.
Consiste mais ou menos no seguinte: os músicos param uma van (acho que é uma Kombi) em uma praça que acharem conveniente, esticam um tapete, montam seus apetrechos e as duas monobandas passam a se apresentar, em desafio, ou um de cada vez.
Vamos aí!
Tem horas que até vale a pena viver aqui em Curitiba, não é?
quarta-feira, 25 de maio de 2011
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