domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fotos do Show do Manu Chao em Guaratuba



Várias coisas me surpreenderam nesse show. O lugar (Curaçao) é bem melhor do que eu imaginava. Tirando a brita no chão da arena que insistia em entrar no meu chinelo e o preço da cerveja, o resto era bem razoável. Também não esperava que tanta gente (calculo umas 3 mil pessoas) gostassem tanto do malukete ao ponto de cantar junto a maioria das músicas.

Já tinha lido que o show era muito energético (digamos assim). Mas eu não esperava que fosse tanto. Começou às 15 pra uma da manhã. Eram 3 horas quando a Ju estava dormindo em pé e decidimos voltar pra pousada. Quem ficou até o fim disse que teve mais meia hora ainda, o que nas minhas contas completa quase três horas.

Além da energia, a deferência do cara com o público é sensacional. As três primeiras canções (que eu não conhecia) foram em português, praticamente sem nenhum sotaque. A formação chamada de intimista na imprensa, violão, guitarra e bateria, estava mais pra crua e econômica.

Apesar do Manu Chao trabalhar um turbilhão de influências ibéricas e latino americanas, ao vivo tudo fica muito simples. O bumbo marca o tempo exato no 4x4, o violão do Manu faz a base e o violão ou guitarra do excelente Madji passeia por sobre a base em riffs e solos de forte influência caribenha e do flamenco. Ocasionalmente a bateria acelera ou dobra indo para o hardcore, e aí e melhor estar disposto a se acotovelar, pois a galera pogou a valer.

Durante o show eu fiquei pensando, esse cara é único e ao mesmo tempo é uma necessidade histórica para o nosso continente. Pois não há nenhum outro artista que consiga falar com toda a América Latina e boa parte da Europa de maneira tão intensa. Mercedes Sosa e Shakira não contam!

Foi obvio, mas digno de nota, quando ele tocou Clandestino a comoção foi geral. Praticamente nem precisava cantar. No refrão entrava para alterar as nacionalidades incluindo o Brasil e reforçar o "ilegal". Arrepiante.

Nesses tempos de integração e de avanços políticos e sociais na nossa américa, artistas como Manu Chao deveriam existir às dúzias e o pior é que eles existem. É uma pena que o Brasil fique meio que de costas para a américa latina. Bersuit Vergabarat, Aterciopelados, Molotov, Amparanoia, Sumo, Divididos, Café Tacvba, e tantas outras bandas fundamentais são praticamente desconhecidas por aqui. É uma pena. Perdemos todos.

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